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Eu não sou daqui

Porque Ourém está mesmo ali ao lado

31 outubro, 2005

Nota sobre as eleições autárquicas em Ourém, viii


A análise dos resultados eleitorais pode ser feita tomando como referência diferentes elementos e parâmetros. A leitura mais óbvia, justamente a que, por ser institucional, produz efeitos políticos mais evidentes e imediatos, é aquela que observa a potência eleitoral de cada força política no mesmo sufrágio. Outra leitura possível e recorrente é aquela que perspectiva os resultados eleitorais no cabo de uma linha cronológica. Para além destas leituras - uma sincrónica, a outra diacrónica -, outro exercício possível e com relevância analítica é o cálculo das variações das massas eleitorais das forças políticas que apresentaram candidatura à Câmara Municipal de Ourém, tomando como padrão o número de votos que essas mesmas forças políticas obtiveram na eleição legislativa imediatamente anterior. Na prática, é uma forma de, considerando a votação de uma determinada força política nas eleições legislativas como sendo a sua base eleitoral, observar o desperdício ou o acréscimo de votos da candidatura à Câmara Municipal dessa mesma força política. Pelo que, grosso modo, este indicador é uma tentativa de aferir o efeito de localidade sobre os resultados eleitorais autárquicos.


Variação relativa da massa eleitoral das forças políticas entre a eleição para a Câmara Municipal e a eleição legislativa imediatamente anterior (1976-2005)

APU / CDU
--
CDS
--
PDC
--
PS
--
PSD
--
UDP
1976---
+ 121,8
0- 19,8
-
- 09,4
- 35,4
-
1979---
0- 20,4
*
+ 744,4
+ 12,8
*
- 15,8
1982---
0+ 04,1
*
-
- 13,1
*
-
1985---
0+ 73,8
0+ 64,3
+ 766,8
- 37,3
- 43,7
-
1989---
0+ 22,0
+ 277,1
-
+ 14,8
- 37,9
-
1993---
+ 205,6
+ 254,1
-
+ 09,0
- 31,6
-
1997---
0+ 24,8
0- 32,3
-
+ 72,2
- 24,2
-
2001---
+ 138,7
0- 15,5
-
+ 44,0
- 12,9
-
2005---
0+ 87,4
0- 42,3
-
+ 31,5
- 11,9
-

* Em 1979 e em 1980, o CDS e o PSD, juntos com o PPM, concorreram às eleições legislativas integrados na coligação Aliança Democrática, facto que torna impossível o cálculo da variação das respectivas massas eleitorais em relação às eleições autárquicas de 1979 e 1982.


Como é possível observar, em Ourém, as coligações que o PCP integrou conseguiram quase sempre mais votos na eleição para a Câmara Municipal do que na eleição legislativa imediatamente anterior. A excepção reporta-se a 1979, ano em que a dimensão da oferta eleitoral para a Câmara Municipal foi maior, sendo a única ocasião em que a UDP submeteu uma lista a sufrágio para o executivo municipal. Refira-se ainda que foi justamente em 1979 que qualquer coligação de que o PCP tenha feito parte obteve a sua maior votação em eleições legislativas. Quanto ao CDS, constata-se que entre 1985 e 1993, as respectivas candidaturas à Câmara Municipal reforçaram significativamente o número de votos da sua base eleitoral. Porém, desde 1997 - e repetindo a situação verificada em 1976 -, na eleição para a Câmara Municipal o CDS desperdiça parte significativa da massa eleitoral obtida nas eleições legislativas. Este é um dos indícios mais fortes da depreciação, em termos de reconhecimento político, do seu aparelho local. Em relação ao PDC, por estes dados percebe-se claramente que esse partido político foi utilizado como um instrumento de cobertura de candidaturas autárquicas com significativo reconhecimento político local, porquanto é evidente que, tanto em 1979 quanto em 1985, o número de votos que o PDC obteve para a Câmara Municipal de Ourém é mais de 8 vezes o número de votos que obteve nas eleições legislativas imediatamente anteriores. Quanto ao PS, na maior parte das ocasiões as respectivas candidaturas à Câmara Municipal arrecadaram mais votos do que as suas candidaturas à Assembleia da República. Destaque particular merecem as três últimas eleições (desde 1997, portanto), por, para além do notório acréscimo de votos conseguido pelas candidaturas autárquicas, as bases eleitorais de referência do PS serem também as maiores que esse partido político conseguiu em Ourém no âmbito de eleições legislativas. Quanto ao PSD, constata-se que, não obstante as confortáveis vantagens que tem conseguido em relação à segunda força política mais votada para a Câmara Municipal, as suas candidaturas ao executivo municipal têm desperdiçado parte não dispicienda da sua base eleitoral legislativa.
Em suma, em relação aos sufrágios mais próximos - e que se podem dizer inscritos no terceiro ciclo político local desde 1976 -, em termos eleitorais locais, a cotação dos candidatos à Câmara Municipal de Ourém apresentados pelas forças políticas à esquerda, a CDU e o PS, é superior à cotação dos candidatos apresentados por essas mesmas forças políticas à Assembleia da República. Para as forças políticas à direita, o CDS e o PSD, a situação é simétrica, no sentido em que, em Ourém, tais partidos políticos valem mais nas eleições legislativas do que nas eleições para a Câmara Municipal. Significa isto, portanto, que, no plano autárquico, enquanto o CDS e o PSD não conseguem reter integralmente o eleitorado ideológico - pelo contrário, desperdiçam-no -, a CDU e o PS ultrapassam, ainda que em dimensões diferentes, a indisponibilidade do eleitorado oureense em relação às suas orientações doutrinárias. Por outras palavras, em Ourém existe um segmento significativo do eleitorado que, no quadro das eleições autárquicas, não define o seu voto prevalecemente em termos de referenciais ideológicos ou partidários. Ainda assim, note-se, à luz dos dados disponíveis - isto é, no quadro da lógica e das dinâmicas dos processos políticos locais -, tal segmento - certamente composição heterogénea -, ainda que com dimensão política relevante, não tem impacto decisivo na definição do partido mais votado para a Câmara Municipal de Ourém.


As variações da massa eleitoral das diferentes forças políticas que se candidataram à Câmara Municipal de Ourém foram calculadas com base na razão entre o número de votos obtidos nas seguintes eleições:
Eleição autárquica
--
Eleição legislativa
1976
--
1976
1979
--
1979
1982
--
1980
1985
--
1985
1989
--
1987
1993
--
1991
1997
--
1995
2001
--
1999
2005
--
2005

| Referência

27 outubro, 2005

Nota sobre as eleições autárquicas em Ourém, vii


Sobre a juvenilidade dos autarcas em Ourém, vide o quadro abaixo.


Proporção de jovens nos órgãos autárquicos em Ourém (2005)

--Assembleias de Freguesia--
--Assembleia Municipal--
--Câmara Municipal--
*
0,38
0,14


À semelhança do que já se havia verificado para as mulheres, a Assembleia Municipal é o órgão que acolhe mais jovens.


* não disponho da caracterização etária dos eleitos pelo CDS para as Assembleias de Freguesia. Seja como for, considerando apenas os eleitos pelo PS e pelo PSD - que representam mais de 95% do colégio de eleitos para as dezoito Assembleias de Freguesia de Ourém -, a proporção de jovens eleitos é de 0,20. No caso de todos os eleitos pelo CDS serem jovens, essa proporção, então, cifra-se em 0,23.

| Referência


Nota sobre as eleições autárquicas em Ourém, vi


Uma das queixas habituais em relação aos universos políticos locais está relacionado com o acumulado de mandatos pelos eleitos, consequência da recondução dos mesmos nos mesmos lugares durante um período extenso, facto que tende a indiciar tanto um fechamento do espaço autárquico quanto um baixo nível de vitalidade política. Duas observações a este propósito.
Observação um. É um facto que a rotatividade de algumas figuras particulares dos órgãos autárquicos - designadamente o presidente da Câmara Municipal, os vereadores em regime de permanência e os presidentes de Junta de Freguesia - é relativamente pouco frequente. Mas, para além destas figuras mais destacadas - as politicamente mais relevantes, mas em número reduzido -, o restante pessoal, pelos mais diversos motivos, roda com bastante mais frequência (Achtung! em relação a esta matéria por ora não disponho de um rol de dados suficiente sobre o caso de Ourém; oportunamente apresentarei informação sobre a rotatividade dos autarcas por cá, assim como sobre o respectivo acumulado de mandatos).
Observação dois. A par da circulação das pessoas pelos órgãos autárquicos, um outro indicador de vitalidade política que se pode mobilizar é o índice de juvenilidade das candidaturas autárquicas e da composição dos respectivos órgãos. Grosso modo, através deste parâmetro é possível aferir em que medida os jovens estão disponíveis e são acolhidos pelo universo político local para o desempenho de funções autárquicas.


Proporção de jovens nas candidaturas e nos contingentes de eleitos pelo PS e pelo PSD
para os órgãos autárquicos em Ourém (2005)

--Assembleias
de freguesia--
--Assembleia
Municipal--
--Câmara
Municipal--
PS
PSD
PS
PSD
PS
PSD
Candidatura--
0,230,280,430,240,140,14
Contingente de eleitos--
0,220,190,430,270,000,25


No que concerne a este parâmetro, como é possível observar, em Ourém, é igual a proporção de jovens submetidos a sufrágio tanto pelo PS quanto pelo PSD para a Câmara Municipal. Diferença significativa, com vantagem para o PS, tanto no quadro da candidatura quanto no quadro do contingente de eleitos, verifica-se no caso da Assembleia Municipal. Quanto ao caso das Assembleias de Freguesia, a situação é diversa. Embora a proporção de jovens inscritos nas listas de candidatura do PSD seja superior à do PS, essa mesma proporção relativa ao contingente de eleitos é maior no PS do que no PSD. Em suma, no conjunto de todos os órgãos autárquicos, a taxa de juvenilidade das candidaturas do PSD foi de 26,8%, enquanto a do PS foi de 24,7%. Todavia, a taxa de juvenilidade do contigente de eleitos pelo PS para todos os órgãos é de 23,4%, ao passo que a do PSD é de 19,8%.

| Referência

25 outubro, 2005

Nota sobre as eleições autárquicas em Ourém, v


Com frequência ouvem-se declarações, mais ou menos pronunciadas, sobre o marasmo político existente em Ourém, sobre a permanência de tudo ou quase tudo na mesma. Em parte, é compreensível este sentimento. Salvo o que está relacionado com a rodagem de pessoas por alguns lugares, desde 1997, com reflexos nos resultados eleitorais para a Câmara Municipal de Ourém, não se vislumbram alterações relevantes no panorama político oureense. Mas se a perspectiva for historicamente mais funda, isto é, se se considerar um intervalo de tempo com origem em 1976, verifica-se que em Ourém aconteceram mudanças políticas bastante significativas.


Concentração eleitoral nos blocos políticos na eleição para a
Câmara Municipal de Ourém (1976-2005)

Bloco à esquerda
--
Bloco ao centro
--
Bloco à direita
1976---
19,3
48,2
76,1
1979
20,5
45,5
76,2
1982
15,7
52,1
80,0
1985
12,5
46,1
84,7
1989
13,9
68,0
83,0
1993
16,7
74,6
79,1
1997
37,5
86,0
58,4
2001
38,6
83,4
58,0
2005
36,5
83,5
57,6


A mudança política mais relevante é o deslocamento do núcleo da competitividade política do bloco à direita para o bloco ao centro. Isto, claro, sem que, desde 1985, a unidade política axial tenha deixado de ser o PSD. Seja como for, não obstante desde 1997 a polarização política seja entre o PSD e o PS, tal facto não ilude a existência desde 1976 de uma maioria à direita - constante e mais acentuada em outros tipos de sufrágio, designadamente nas eleições legislativas. Por outras palavras, na eleição para a Câmara Municipal de Ourém, apesar da evidente erosão do capital eleitoral do CDS (desde 1982) e do PSD (sobretudo em 1997), no conjunto o bloco à direita é francamente maioritário. Aliás, por si só, mesmo depois de 1997, note-se que a lista apresentada pelo PSD tem conseguido aproximadamente 50% dos votos para o órgão executivo municipal.


Bloco à esquerda: FEPU/APU/CDU + PS (em 1976 e desde 1982)
Bloco à esquerda: APU + PS + UDP (em 1979)

Bloco ao centro: PS + PSD

Bloco à direita: CDS + PSD (em 1976, 1982 e desde 1989)
Bloco à direita: CDS + PDC + PSD (em 1979 e 1985)

| Referência


Nota sobre as eleições autárquicas em Ourém, iv


O que se pode dizer sobre a competitividade da eleição para a Câmara Municipal de Ourém? Tomando como indicador a diferença entre os scores eleitorais das primeira e segunda força política mais votadas, pode afirmar-se que o nível de competitividade das últimas eleições foi ligeiramente inferior ao verificado em 2001, marcando uma inflexão, ainda que pouco pronunciada, em relação à tendência que se vinha registando desde 1997.


Competitividade e concentração eleitorais e polarização política na eleição para a
Câmara Municipal de Ourém (1976-2005)

Nível de competitividade eleitoral
--
Tipo de polarização
--
Nível de concentração eleitoral
1976---
12,7
CDS-PSD
76,1
1979
04,2
PSD-CDS
53,4
1982
01,6
CDS-PSD
80,0
1985
00,1
PSD-CDS
75,1
1989
28,6
PSD-CDS
83,0
1993
42,1
PSD-CDS
79,1
1997
14,0
PSD-PS
86,0
2001
13,0
PSD-PS
83,4
2005
15,9
PSD-PS
83,5


Outra observação. Embora a hegemonia eleitoral do PSD continue evidente, logrando desde 1997 vantagens nos scores eleitorais entre os 13 e os 16 pontos percentuais, certo é que essas vantagens são claramente inferiores às conseguidas em 1989 e 1993. Ou seja, embora nos últimos três sufrágios autárquicos a competitividade eleitoral por cá seja relativamente diminuta - longe, muito longe, dos níveis de 1979, 1982 e 1985 -, convém não iludir que a vantagem do PSD também já não tem a dimensão colossal que teve em 1989 e 1993.
Última observação. Não obstante os diferentes níveis de competitividade eleitoral, a concentração eleitoral nas duas forças políticas mais votadas atingiu quase sempre valores bastante elevados. Com excepção da eleição de 1979, onde a estrutura da oferta política foi diferente e também foi maior essa mesma oferta, com consequências bastante significativas ao nível da dispersão eleitoral, em todas as demais ocasiões as duas forças políticas mais votadas obtiveram sempre, no mínimo, 3/4 dos votos. O que, em face desta concentração - com expressão duradoura -, deixa antever a dificuldade tanto de afirmação quanto de penetração eleitoral de uma eventual candidatura subscrita por um grupo de cidadãos independentes.

| Referência

18 outubro, 2005

Pergunta indiscreta


Em Ourém, para o PSD, a cotação política de Armando Neto diminuiu significativamente. Enquanto em Dezembro de 2001 o seu nome foi o terceiro na lista de candidatura social-democrata à Câmara Municipal, em Outubro de 2005 foi o quinto. Porquê não se sabe. Mas, em termos objectivos, a consequência foi que, ao ser recambiado para uma posição para além do limiar de elegibilidade provável, Armando Neto deixou de ser vereador. Ora, alguém que deixou de ter valor político para ser vereador - vá lá saber-se porquê dentro do rateio da mercearia partidária -, tem valor político para ser membro da administração de uma empresa municipal? Se houvesse alguma lógica nisto - provavelmente rogar vergonha e desapego às conveniências é muito -, saber-se-ia a resposta. Como não há, sabe-se também.

| Referência

17 outubro, 2005

Nota sobre as eleições autárquicas em Ourém, iii


É interessante perspectivar o contributo das diversas forças políticas, designadamente das duas que elegem aproximadamente 95% do total do colégio de autarcas existente em Ourém - o PS e o PSD -, para a feminização do espectro autárquico local.


Proporção de mulheres nas candidaturas e nos contingentes de eleitos pelo PS e pelo PSD
para os órgãos autárquicos em Ourém (2005)

--Assembleias
de freguesia--
--Assembleia
Municipal--
--Câmara
Municipal--
PS
PSD
PS
PSD
PS
PSD
Candidatura--
0,230,130,330,240,290,00
Contingente de eleitos--
0,200,130,290,270,330,00


Como é possível observar, em Ourém, para todos os tipos de órgãos autárquicos, o PS inscreveu mais mulheres nas listas de candidatura do que o PSD e, também para todos os casos, o PS logrou eleger uma maior proporção de mulheres do que o PSD.
Numa outra perspectiva, pode dizer-se que, em relação a 2001, a taxa de feminização do contingente de eleitos do PS aumentou de 11,8% para 21,9%, enquanto que a mesma taxa referente ao contingente de eleitos do PSD aumentou de 10,2% para 13,8%.
Perante estes factos e esta evidência, torna-se evidente, pois, que um famigerado epifenómeno que surgiu por cá nas vésperas destas últimas eleições autárquicas, o tal «núcleo de mulheres sociais-democratas», em toda a coreografia que animou, parece não ter dado mais do que para o folclore e o recreio. É que o PS, com menos encenação, jantares e excursões à Assembleia da República, não apenas inscreveu mais mulheres nas listas de candidatura que submeteu a sufrágio do que o PSD como logrou eleger uma maior proporção de mulheres para qualquer dos tipos dos órgãos autárquicos. Pelo que cumpre referir ainda que, afinal, ao destilar conversa sobre a necessidade de incrementar o índice de envolvimento e participação política da mulheres, Deolinda Simões andou fundamentalmente a armar ao pingarelho e a pregar às bogas. O que, enquanto feito por quem fez, não é manobra inédita.

| Referência


Nota sobre as eleições autárquicas em Ourém, ii


Um dos indicadores consensualmente considerados e mobilizados nos exercícios de auditoria à qualidade da democracia é a taxa de feminização dos órgãos políticos constituídos por via de eleição ou de nomeação. Grosso modo, considera-se que uma situação próxima da paridade é o reflexo de uma ordem social onde os direitos das mulheres e dos homens, de jure e de facto, isto é, no enunciado jurídico e na prática, são iguais.
Posto isto, a propósito deste parâmetro, qual é a situação em Ourém?


Proporção de mulheres nos órgãos autárquicos em Ourém (2001-2005)

--2001--
--2005--
Assembleias de Freguesia--
0,090,15
Assembleia Municipal--
0,240,29
Câmara Municipal--
0,000,14


Como é possível constatar, em Ourém, aumentou o número de mulheres eleitas tanto para as Assembleias de Freguesia quanto para a Câmara Municipal. No conjunto de todos os órgãos, a de taxa de feminização aumentou de 10,6% para 16,3%. Ainda assim, como surge evidente, a proporção de mulheres em qualquer dos tipos de órgãos autárquicos permanece relativamente baixa, distante, portanto, de um horizonte que se possa dizer paritário.

| Referência


Nota sobre as eleições autárquicas em Ourém, i


Em Ourém, no que se refere ao plano municipal, em termos estritamente eleitorais, parece fazer sentido admitir que, com o resultado das últimas eleições autárquicas, nenhuma novidade surgiu. O mesmo se pode admitir em relação à densidade autárquica das diversas forças políticas em concorrência.


Densidade autárquica das forças políticas em Ourém (1976-2005)

-1976-
-1979-
-1982-
-1985-
-1989-
-1993-
-1997-
-2001-
-2005-
APU / CDU
00,001,400,900,600,000,000,500,000,5
CDS
48,728,141,637,628,016,806,505,904,7
PDC
-12,2-03,5-----
PS
14,714,513,109,812,116,827,427,133,7
PSD
35,343,944,348,559,966,361,362,261,1
UDP
-00,0-------
GCI
01,3-----04,304,8-


Este indicador permite duas observações mais.
Uma relacionada com a posição dominante do PSD. Com é possível observar, o estatuto de partido hegemónico está associado à respectiva densidade autárquica. Em Ourém, desde as eleições de 1979 que o PSD é a força política que consegue alcançar o maior número de mandatos autárquicos, facto que, a par dos ciclos políticos nacionais, terá contribuído para sustentar a sua capacidade de penetração eleitoral e a sua consolidação por cá. Ou seja, em 1989, quando logrou alcançar uma confortável maioria nos órgãos municipais, o PSD dispunha já de um significativo núcleo de eleitos, disseminado pelas várias freguesias. O que, seja por via de mecanismos clientelares, por via de redes de influência ou por via do reconhecimento político, constituía uma evidente vantagem comparativa em relação às demais forças políticas concorrentes.
A outra observação reporta-se à hipótese de uma vitória eleitoral do PS. Perante estes dados, em Ourém, surge plausível estimar que o crescimento eleitoral do PS passa por um investimento nas freguesias, sob as mais diversas formas. Enquanto esse trabalho de base não for prosseguido de forma continuada e sustentada, com a definição de interlocutores locais com capacidade de afirmação e, consequentemente, reconhecimento, as hipóteses de viragem política, por via eleitoral, tenderão a ser pequenas. É que a inércia, como está, joga a favor da casa, da situação, não a favor das alternativas que se perfilem. Ainda assim, note-se, é provável que o indicador mais simpático em relação à performance socialista nas últimas eleições autárquicas seja justamente o que se reporta à sua densidade autárquica. O reforço do número de autarcas por parte do PS é um sinal da sua ancoragem num chão que, pela cultura política prevalecente e pelo alinhamento ideológico dominante, não lhe é favorável.

| Referência

16 outubro, 2005

O artista pintor que pinta na casa junto ao pelourinho

© Som da Tinta

| Referência

15 outubro, 2005

Roberto Chichorro expõe na galeria municipal de Ourém (até 31 de Outubro)

| Referência

14 outubro, 2005

È un’ingiustizia però!

José Alho, cabeça de lista da candidatura socialista à Câmara Municipal de Ourém, na sequência da vitória eleitoral do PSD, em estilo Calimero, recusou felicitar David Catarino. “Em jogo em que o adversário faz batota não se pode dar os parabéns” (cit. in Região de Leiria, n.º 3578, 14.Outubro.2005, p. 19). O tal jogo é apenas a celebração do que se diz ser a democracia: eleições. Em que os oureenses votaram.

| Referência


David Catarino não nega a hipótese de atribuir pelouros aos vereadores socialistas

Região de Leiria: Tenciona distribuir pelouros aos vereadores eleitos pelo Partido Socialista?
David Catarino: Não vou responder a isso.
in Região de Leiria, n.º 3578, 14.Outubro.2005, p. 19.

| Referência


David Catarino, como presidente da Câmara Municipal de Ourém, válido até ao Outono de 2009


Região de Leiria: Vai completar o mandato de quatro anos à frente da Câmara Municipal?
David Catarino: Sim. Até ao fim.
in Região de Leiria, n.º 3578, 14.Outubro.2005, p. 19.

| Referência

13 outubro, 2005

A eleição para a Câmara Municipal de Ourém


A volatilidade eleitoral é um indicador que permite aferir a dimensão da transferência de votos entre todas as candidaturas, em duas eleições imediatamente seguidas. Em relação a Ourém e ao sufrágio para a Câmara Municipal verifica-se que até 1997 a circulação de votos aconteceu sobretudo entre as forças políticas do bloco à direita. Em complemento, observa-se que, com a excepção de 1997 - quando ocorreu uma significativa deslocação de votos do PSD para o PS -, a volatilidade eleitoral no bloco de forças políticas à esquerda é pouco significativa ou residual.


Volatilidade na eleição para a Câmara Municipal de Ourém (1976-2005)

-1979-
-1982-
-1985-
-1989-
-1993-
-1997-
-2001-
-2005-
Bloco à direita
22,824,707,319,108,110,301,601,7
Bloco à esquerda---
00,902,702,803,001,411,601,401,1
Inter-blocos
00,704,604,001,403,420,800,801,3
Total
23,727,410,122,109,521,903,002,8


Mais em concreto, significa isto que...


Resultados eleitorais para a Câmara Municipal de Ourém (1976-2005)

-1976-
-1979-
-1982-
-1985-
-1989-
-1993-
-1997-
-2001-
-2005-
Abstenção
40,828,936,637,437,938,137,534,738,3
Votos brancos
1,81,12,11,41,62,22,11,93,6
Votos nulos
2,82,12,31,51,61,92,01,52,3
APU / CDU
02,8 (0)02,5 (0)02,8 (0)04,0 (0)01,7 (0)02,7 (0)01,5 (0)03,4 (0)02,7 (0)
CDS
44,4 (4)24,6 (2)40,8 (3)37,5 (3)27,2 (2)18,5 (1)08,4 (0)09,8 (0)07,9 (0)
PDC
-22,8 (2)-09,6 (1)-----
PS
16,5 (1)16,7 (1)12,9 (1)08,5 (0)12,2 (1)14,0 (1)36,0 (3)35,2 (3)33,8 (3)
PSD
31,7 (2)28,8 (2)39,2 (3)37,6 (3)55,8 (4)60,6 (5)50,0 (4)48,2 (4)49,7 (4)
UDP
-01,3 (0)-------
Total
-100,0 (7)--100,0 (7)--100,0 (7)--100,0 (7)--100,0 (7)--100,0 (7)--100,0 (7)--100,0 (7)--100,0 (7)-

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12 outubro, 2005

Post’O Castelo


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Manifesto


Embora há mais de década e meia a vida me faça oscilar entre Ourém e outros lugares, se me perguntam de onde sou, respondo: sou de Ourém. Sou oureense, como, semelhante a qualquer outro, sou muito mais. Mas ser oureense, assumo, é uma das condições que mais me preenche e faz como pessoa.
Dito isto, a que me proponho neste blog? Proponho-me sobretudo destilar publicamente – o que significa partilhar e confiar a outros – o (meu) desassossego de ser oureense. Não é pouco. Não é muito. É o que é. Nem mais. Nem menos.
Para além disso, Ourém está mesmo ali ao lado, eu não sou daqui e, acaso interesse, chamo-me Sérgio Faria.

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2005/2010 © Sérgio Faria